BRASIL, Sudeste, BELO HORIZONTE, PAMPULHA, Mulher, Portuguese, English, Livros, Livros, FUTEBOL
Outro -

 

    UOL - O melhor conteúdo
  hospital do cancer de Barretos
  defesa do consumidor/planos de saúde
  sistema único de saúde
  instituto nacional de controle do câncer
  câncer de mama
  revista eletrônica reforme/kitnet


 

 
 

   

   


 
 
Câncer de Mama



ISCRIVINHANDO...

O CÓS

Marina da Silva

 

O cós é aquela parte da roupa – calças, saias, bermudas, shorts – conhecida popularmente como cintura, onde se põe o cinto e estava ocupando minha cabeça e enchendo minha paciência desde que saí de casa com uma calça nova de cós baixo, na verdade muito baixo.

Passei boa parte do dia subindo a calça ou espichando para baixo a blusa para esconder, entre outras coisas, dois pneus Good-year nas laterais, dois simpáticos lombinhos, como os chamou o cirurgião plástico, paralelos ao umbigo e uma auto-estrada de flanco a flanco deixada por uma enorme cicatriz no baixo ventre, milímetros acima do monte de vênus.

A caminho de casa, praguejando contra a bendita calça, dei de cara com uma lojinha na rua Rio de Janeiro com o seguinte cartaz: Temos calça de cós alto.

_ Aleluia! Pensei alto. Até que enfim o reinado do cós baixo está terminando. Entrei curiosa, olhei os jeans e outras calças, achei-os um tanto comportados, sem nenhum rasgo, bordado ou lantejoulas, nada fashion e perguntei o preço.

_ Sessenta e nove e noventa! Está na promoção, um precinho ótimo!

_Uia! Pensei comigo. Se ela soubesse que essa miserável cós baixo fashion custou só quatorze e noventa e nove... Agradeci me safando com a desculpa do “vou esperar o pagamento sair” e continuei rumo ao ponto de ônibus na infeliz ginástica do levanta e puxa.

Segui em frente reparando as pessoas, mulheres como eu, usando calças ou saias cós baixo. Tirando uma ou outra magrinha, cinturinha delineada e tal, a maioria poderia entrar na classificação de gordinhas, cheinhas, obesas. A moda que começou lá com a Madona, aqui, pegou feio a lambada, axé, funk, hip hop, forró, pagode  se espalhou como gripe numa influenza sobre todas as confecções do mundo, pelo menos do lado ocidental.

No começo até que era legal sair do cós Jeca Tatu, cintura logo abaixo do peito e descer um pouco, na altura do umbigo. O problema é que o cós divorciou-se definitivamente da cintura e continuou a descida rumo ao cóccix, crista ilíaca e ao monte de Vênus. O caso deixou de ser estar ou não na moda; sem outra opção acabou por se tornar um problema gravíssimo de poluição visual. A cada descida do cós, maior a exposição de massas adiposas, pêlos, tatuagens de gosto duvidoso, saliências indesejadas, pintas, manchas e no meu caso, lombadas, pneus e cicatrizes. Classifiquei os modelos, num momento de raiva, desta forma: cós baixo – aquele que mostra levemente a barriga, o umbigo e ainda consegue esconder uma e outra gordurinha; cós extremamente baixo: deixa a banha livre e solta e atendendo a lei da gravidade, caída, despencada e de quebra presenteia a pessoa com uma segunda cintura; e o cós pornográfico, que além das impropriedades dos dois acima, deixa à mostra o monte de Vênus, os pêlos pubianos e até o cofrinho!

Tudo bem que dá para perdoar, não muito, algumas gordurinhas extras em qualquer idade. Um excessinho vá lá, mas um enorme saco de banha caindo pelas tabelas, dobrando-se sobre o cós, já é uma exposição desnecessária ao ridículo.

_ Mas ninguém é obrigado a usar o cós baixo! Bradariam a mim aquela gente da patrulha.

_ Mas pôxa vida, eu adoro jeans, saias, shorts e só produzem o tal cós baixo! Essa onda pegou tudo, tudo!

_ Uai? Use roupas para pessoas da sua idade! Tirada de algum debochado que apesar da juventude tem a mente presa lá no século XIX ou pior, na idade média.

_ Sai fora Véio! Sou uma mulher do terceiro milênio e se não me engano há mais de duzentos anos Balzac resgatou a mulher de trinta, Roberto Carlos ainda no século XX cantava as mulheres de quarenta e cinqüenta e já faz um bom tempo que a vida _ hiper produtiva foi esticada para os sessenta/setenta e a melhor idade só chega a partir dos noventa! Tá ligado?



Escrito por Marina da Silva às 18h48
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




MAMOTOMIA.

 Marina da Silva

Como já lhes disse caros amigos e amigas eu nunca fiz uma MAMOTOMIA. Pesquisei sobre o assunto no Google e publiquei aqui o que achei e na ausência de informações esclarecedoras e em linguagem de gente (linguagem médica só serve para a classe médica e fim de papo!) eu venho pedindo às mulheres que passam pela MAMOTOMIA QUE CONTEM:  como foi o exame, se é demorado, se precisa de algum preparo, quem faz é o médico ou um técnico, dói muito, pouco ou nada, sangra, a gente fica aleijada depois? He, He, He. Temos muitas dúvidas de tudo e precisamos da ajuda de mulheres que queiram compartilhar a sua experiência.

Segue então um relato de Liana, que fez a MAMOTOMIA E VAI NOS CONTAR O QUE SENTIU.

 

“Acabei de voltar do exame. Tenho 59 anos e descobri um nodulo na mama direita, logo acima do mamilo. Duro igual um caroço de pessego. Tenho mamas grandes e densas, porisso achei que iria doer. Depois de muito pelejar atras de mastologistas serios (um deles queria que eu fizesse plastica de redução de mama!), recebi a indicação da medica para uma Mamotomia guiada por mamografia estereotaxica. Primeiro pesquisei muito para saber o que era esse exame, como era etc. Tudo o que tem na internet é assustador e não foi nada disso: entrei na sala, o medico (muito legal) me explicou o que seria feito, me fez sentar numa cadeira proxima ao equipamento igual de uma mamografia, porem com um furo quadrado, por onde ele aplica a anestesia local e introduz a canula. Fez um furo para a passagem da canula e só. A posição do pescoço é que incomoda um pouco, mas é a mesma da mamografia. Não senti NADA. Só a picada da agulha da anestesia, mas não foi dor. Daí, ele começou o "procedimento". Cada vez que ele girava a canula para absorver partes do nodulo, a maquina fazia um barulhinho. A pressão do mamógrafo nem é tão ruim e dolorosa como a mamografia comum,  que as atendentes espremem como se nossos seios fossem massa de pizza. Juro que não senti NADA. Terminado o "procedimento", que durou 40 minutos, colocaram uma atadura no furinho da canula com algo gelado. Como não sangrou quase nada, a assistente segurou a atadura mais um pouco e logo depois pediu para que eu levantasse os braços para me enfaixar. Saí de lá com uma faixa de gaze com tres voltas e sem o soutien e com algumas recomendações: SE sangrasse, colocar gelo no local; SE ficasse roxo, idem com o gelo; SE doesse para tomar tylenol ou novalgina, mas não pode tomar aspirina ou qualquer acido acetil salicilico, pois esses remédios afinam o sangue e podem provocar sangramentos, mas eu já sabia disso; não fazer esforço nenhum HOJE, mas amanhã, vida normal. Posso dirigir, sair, tudo normal. Claro que sem excessos, como levantar peso ou empurrar carrinho de supermercado cheio, essas coisas. Mas estou aqui, no computador, sem sentir absolutamente NADA. Foi supertranquilo e indolor. Fiz no CTC Genese (para quem quiser uma indicação) e com o dr. Fleury. Estou ótima e acho que vai continuar assim.

Espero ter ajudado que ainda vai fazer esse exame”.  ( grifos de Marina da Silva)

 

Liana

30/09/09

 

 

Liana, muito obrigada por contar aqui no blog sobre sua experiência com o exame MAMOTOMIA. Claro que vai ajudar muitas mulheres que precisam fazer o exame para ter o diagnóstico do achado (nódulo) na mama. Parabéns pela coragem de partilhar! ApaixonadoVocê é show de bola! Brigadão!

 

Conselho: Atenção galera do bem!  Faça como Liana, procure médicos de confiança, pergunte, pesquise e cuidado com a internet, mas acima de tudo lembre-se de que cada pessoa é única. A dor é pessoal e intransferível! Se uma mulher disser que quase morreu com uma mamografia (eu, por exemplo) pode acreditar, mas fui eu! Tenho uma amiga que adora fazer mamografia, não sente nada nem cócegas e suspeito que adorará fazer mamotomia e até tirar a mama na espada igual às lendárias amazonas, sem anestesia! Kkkkk Fique com Deus. Bjus. Marina.

 

 

 



Escrito por Marina da Silva às 14h44
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




CÂNCER, QUIMIOTERAPIA E...CABELO!

Marina da Silva

 

MEU CORTE

O MINISTÉRIO DA SAÚDE ADVERTE: se você odeia dramalhão mexicano não continue a ler este post, lembre-se que eu já avisei: no câncer fui terrível, dei um trabalhão dos diabos!

 

Então...

 

Vinte e um dias após o primeiro ciclo da quimio, conforme o médico me avisara, meus cabelos começaram a cair; primeiro no pente, nas passadas de mãos. Um dia acordei e estava lá uma tocha de cabelos sobre o travesseiro! Levei um baita susto e olha que peru avisado não morre de véspera! Minha filha na escola, meu marido andando de bicicleta; fui para o banheiro e comecei a pentear e os cabelos caiam aos montes. Desavisada (MINTO, HE,HE) comecei a puxar as tochas para ver se conseguia tirar tudo em casa! Um horror! Pior que sexta-feira 13! Não faça isso com você! Não sofra inutilmente! Isto não é coragem, é BURRICE!

Chamei meu marido e mostrei a ele. Outra besteira! Os olhinhos dele ficaram miudinhos, uma dor crua estampava-se ali.

Foi então que sacudi a poeira, levantei a cabeça e o restinho de cabelos que sobrou e fui para um salão de beleza zerar o resto na máquina ou  navalha!

Durante o corte um homem me parabenizou achando que eu tinha passado no vestibular da UFMG. Kkkkkkkk

Então contei que estava com câncer e blá, blá. E foi aí que algo interessante aconteceu...

Todas as pessoas que estavam no salão, trabalhadoras e clientes ficaram esperando eu chorar, me debulhar em lágrimas tal qual a atriz Carolina Dickeman, a Camila, da novela Laços de Família.

É o papel da coitadinha! A pior coisa do câncer para os novelistas é a perda dos cabelos!

_Pode um troço destes? Pode! E por quê? PORQUE DÁ UM IBOPE DESGRAÇADO!  Eu mesmo adoro dramalhão mexicano! Confesso que assisti às novelas da atriz  Thalia no SBT! Adoro novelas!

É por assistir novelas e por ter passado pelo perrengue do câncer que critico e condeno o uso e abuso só de cenas da perda de cabelo. Isso só prejudica e atemoriza o cidadão e nos torna, vítimas do câncer, uns coitados, fracassados, perdidos, castigados, condenados e toda a negatividade simbólica, histórico-cultural que a própria palavra CÂNCER carrega.

Se eu fosse novelista e dona da GOBO: TRABALHARIA A PREVENÇÃO E DESMISTIFICARIA ESSA CARGA NEGATIVA DO CÂNCER!

_ Como? Você me perguntaria.

E eu respondendo e enumerando:

* promovendo o estilo de vida saudável ( evitar abuso de comidas gordurosas e açúcar, uso abusivo de bebidas alcoólicas, Xô cigarro, maconha, drogas, controle do peso, incentivar exercícios físicos e diversão e lazer e namoro e beijo e abraço e fazer amor de madrugada...);

* mostrar a importância de conhecer o próprio corpo e ter atenção aos sinais que ele nos dá;

* falar das consultas preventivas, das vacinas, do ginecologista, urologista, da gravidez e seus riscos na adolescência, do mal que o cigarro faz, da falsa inocência da maconha;

* mostrar a importância da FÉ e da FAMÍLIA durante os perrengues da vida, incluso o câncer;

* falar da cura e denunciar a ineficiência e ineficácia do controle de várias doenças (cardíacas, câncer, AIDS por exemplo) da parte das políticas públicas e mesmo dos planos privados;

*mostrar a picaretagem de planos de saúde que querem até reduzir o número de ciclos da quimioterapia;

*e etc, etc e pense aí outras coisas e me ajude a completar minha novela!

 

Conselho: galera do bem, homens e mulheres e crianças também! Chega de novela! Se o cabelo cair durante a quimioterapia, tudo bem, ele nascerá de novo! Relaxe tenha paciência e é só VIVER A VIDA possível durante os perrengues da vida! Converse com seu médico, com a família, com padres, pastores, amigos ou diário! Socialize o medo e a dor que eles ficam pequenos e até somem!  E principalmente FAÇA O QUE EU DIGO E NÃO FAÇA O QUE EU FIZ! O que eu fiz????

QUASE MORRI... de medo! Kkkk Bjin. Fui. Fique com Deus. Marina.

 

 

 QUER LER OUTROS ESCRITOS MEUS? www.reforme.com.br/kitnet  BRIGADU. ABÇ. marina

 

 



Escrito por Marina da Silva às 09h53
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]