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Câncer de Mama



EU ISCRIVINHADORA...

TPM versus MNP

Marina da Silva

 

Tensão pré-menstrual ou TPM é o período que antecede a menstruação ou os dias vermelhos, caracterizados por dores e inchaços nas mamas, aumento de peso devido à retenção de líquidos, mau humor, irritação, sintomas que podem ser potencializados se acompanhados de dores nas pernas,  “cadeiras”,  cabeça e que culminam com dores fulminantes no abdome, as cólicas menstruais e tudo orquestrado por hormônios.

As cólicas menstruais possuem uma gradação que vão do leve incômodo avisando que se não tiver um absorvente na bolsa... sujou, até as contrações violentas do útero simulando um parto, naturalmente sem anestesia, e que necessitam de analgésicos, anti-espasmódicos, bolsa de água quente no baixo ventre, chás caseiros e até reza brava para passar.

O sangue desce, finda a TPM e se inicia uma semana, aproximadamente, de hemorragia, sendo que, para algumas, os primeiros dias são de fluxo intenso como enxurrada de chuva de verão. Não é a toa que esse período também é conhecido como monstruação! Há tristeza, nervosismo, choro, raiva e até ranger de dentes!

A TPM e menstruação normalmente ocorrem uma vez por mês. É um mal estar cíclico que acompanhará a mulher entre os 10-55 anos de idade e embora não comprovado cientificamente, parece também atacar alguns homens, cujo comportamento violento, grosseiro e grau elevado de chatice e irritação, muitas vezes beiram e até ultrapassam uma TPM. Pode-se até duvidar, mas não foi do meio do nada que surgiram as delegacias de mulheres! Penso eu.

Já a MNP é uma sigla inventada ou apropriada por mim de algum lugar para designar a TPM da menopausa, fase assustadora, pois sempre ligada ao envelhecimento, a perda da sensualidade, fertilidade, enfim coisas da idade; fase   em que a mulher vai se livrando paulatinamente do transtorno da menstruação com um novo transtorno.

Também comandada pelas oscilações hormonais, a MNP na maioria dos casos, é acompanhada por irritação, angústia, tristeza, mal estar, dores nas pernas, mau humor, secura vaginal, um medão enorme de PVC (a P.... da Velhice Chegando) e pelos terríveis  “fogachos” e calafrios.

Fogachos, na verdade, são ondas de calor que fazem literalmente a mulher ferver a mais de 50° e podem iniciar abaixo da linha do Equador, ali no monte de Vênus e subir até a pontinhas dos fios de cabelos da cabeça. O término das ondas é seguido por suor visguento, excessivo e calafrios. Como o fogo vem de dentro é comum cenas do tipo: todo mundo morrendo de frio e uma cidadã arranca as roupas abanando-se tresloucadamente com seu lequezinho ou qualquer artefato que se transforme num abanador ou o inverso, dormir com manta de lã e edredom em pleno verão. Mas não é só isso! Há ainda o risco de osteoporose com o início da MNP.

Há relatos miraculosos de mulheres que passam por essas fazes sem o menor incômodo ou constrangimento! Suspeito de outro sintoma, perda de memória recente, passada, remota. Atualmente tanto para a TPM como para a MNP há terapias a base de hormônios.

O difícil mesmo é conviver com a sua TPM-MNP e a dos outros: chefe, motorista de ônibus, síndico... e as demais mulheres, inclusive as da própria família! Como sei disso?

Eu 4.4 MNP, ela, pré-adolescente TPM! Eu jovem, MNP precocemente, ela ainda criança e com um agravante: o nascimento de dentes permanentes. O bicho pegou, o caldo entornou, a linha do respeito estava quase por um triz quando tomei uma decisão autoritária, visto não estar surgindo efeito com chás, maracujás e calmantes:

_ Então tá combinado! A partir de hoje eu não tenho MNP e nem você TPM!

Estando de acordo as partes, selamos o contrato com um beijo e se de vez em quando uma esquece...

_ Opa menopausada!

_Valeu TPM!

 

 



Escrito por Marina da Silva às 22h02
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EU, A NEURA DA FAXINA E A NEOLSA...DINA!

Marina da Silva

 

Eu sempre cuidei da minha casa com a ajuda do marido. Somente por breves períodos após o nascimento de nossa filha precisamos de ajuda de uma empregada. Que me lembre eu tive empregada no primeiro ano com o bebê. Tentei várias, depois desisti; levei a menina para a creche da UFMG e depois para uma creche particular, horário integral e nos virávamos com uma faxineira. Foram uns cinco anos nesse perrengue, até  a monografia do final do curso que estressou geral nossa cabeça. De 1994, ano que passei na UFMG e nasceu minha filha, até 1999, foram anos trabalhando, estudando, criando filha e fazendo todos os serviços da casa.

Em 2000 resolvi me dar o luxo de ter empregada para poder fazer o mestrado. Aí veio o câncer e a empregada resolveu dar no pé para casar. Consegui que ela ficasse até o final da quimioterapia e depois cismei de fazer tudo sozinha contrariando todas as orientações médicas!

Por que eu me comportava deste jeito?

MEDO DE MORRER! Não queria pensar em nada, só viver! Então quando terminou a radioterapia, voltei ao trabalho e continuei firme na faxina. Nunca em toda minha vida de dona de casa, minhas janelas, paredes e banheiros ficaram tão limpinhos! Eu ainda passava, cozinhava, limpava chão, varria, fazia supermercado, feira. Parecia que estava possuída!

E os remédios para a cabeça? Ia esquecendo; tem duas formas de barrar os pensamentos malucos: trabalhar (muiiiito) e os tarja-preta! Eu tinha os dois e a coisa não resolvia. Por quê?

No início eu jogava a droga fora, depois passei a tomar metade da dose, tentei largar várias vezes. Vivia brigando com o psiquiatra e quando resolvi dar o braço a torcer e seguir a prescrição a risca, 2 anos tinham ido pro saco! Vivi 2003 e 2004 a base de Tilex, Tylenol e outro remédio que me fugiu o nome.Desanimado

E como o meu braço não inchou? Milagre???

Quase...mas o fato é que eu fazia fisioterapia uma vez por semana: exercícios respiratórios (desaprendi a respirar por causa da cirurgia) e drenagem linfática! Deus abençoe Drª. Hilda! Uma fisioterapeuta nada convencional, que trabalhava meu braço e mama como sendo parte do meu ser inteiro e não meros pedaços de mim! Com muito custo ela me ensinou a obedecer meu corpo, ouvi-lo, ter atenção com a dor! Prescreveu-me para casa: uso de luva especial e faixa nas mamas para executar tarefas; vários exercícios para repetir em casa, no trabalho, dentro do buzão, principalmente os ligados à drenagem linfática.

Sempre tive dor, ainda tenho. Sempre abuso e ela sempre me chama de burrita a cada sessão!Devagar

Mas depois de tanto tempo o seu braço ainda dói?

Dói! Sempre esqueço o tal limite! TontoNão é por querer, é que às vezes me empolgo demais fazendo coisas que não conseguia alguns anos atrás ou então levo um tombo no buzu, um encontrão na rua, esses incidentes imprevisíveis do dia-a-dia. A verdade é que eu não sei ficar quieta e gosto de fazer coisas como trabalhar fora, estudar, digitar e escrever, lavar uma roupinha, cozinhar, essas coisas que deixam a gente feliz né!

Tem tanta coisa que eu voltei a fazer! Outro dia eu estava hiper feliz só porque consegui fazer um alongamento sem o menor esforço ou dor, pode?

 

Conselho: Risopode até ser cara-de-pau minha dar conselhos após revelar este meu passado rebelde, mas leve em conta que minha cabeça dançou com o câncer! Então... se você fez mastectomia radical com esvaziamento axilar, cuidado com o linfedema! Faça a fisioterapia, aprenda os exercícios, divida tarefas (meu marido e minha filha me ajudam demais), não tome medicamentos sem prescrição médica nem abuse dos analgésicos. Hoje raramente tomo analgésicos! Xô neolsa! Qualquer coisa vá ao médico ver o que é! JóiaBjus. Marina.

 

 

 



Escrito por Marina da Silva às 19h07
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