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Câncer de Mama TUDO DE BOM HUMOR... QUANDO TRABALHAR NÃO É O MELHOR REMÉDIO! Marina da Silva
“Deus ajuda quem cedo madruga e cabeça vazia é oficina do diabo” são dois ditos populares que qualquer pessoa põe em ação durante um perrengue, por exemplo, um câncer! Para afastar o medo de morrer, as dúvidas que nos assolam como: “será que essa doença alastrou? Será que vai voltar? Estou curado?, a gente preenche a cabeça com muiiiiiiiiiiiito trabalho; desviando assim a atenção sobre a doença! É uma estratégia defensiva do próprio organismo. Se a gente ficar pensando muito...pira de vez! Só há uma forma de por fim às metástases psicológicas (ou espalhamento de idéias malucas para a cabeça): trabalhar! E o que a gente faz? Trabalho, trabalho, trabalho e quando pensar em parar de trabalhar, trabalhe mais meia hora e recomece a trabalhar! He, he, he, he, E é aí que mora o perigo...de linfedema! Linfedema é aquele inchaço no braço, que pode ocorrer às mulheres que tiveram câncer de mama. Qualquer mulher pode ter linfedema? Claro...que NÃO! Somente aquelas que passaram pela mastectomia radical + esvaziamento axilar (retirada dos gânglios linfáticos). Isto porque a retirada dos gânglios afeta o sistema de drenagem linfática e pode ocasionar o edema ou inchaço (a linfa fica retida). Como evitar o inchaço? Segue abaixo as recomendações do INCA – Consenso 2004: “A prevenção do Linfedema requer uma série de cuidados, que se iniciam a partir do diagnóstico de câncer de mama. As pacientes devem ser orientadas quanto aos cuidados com o membro superior homolateral à cirurgia, visando prevenir quadros infecciosos e Linfedema. Evitar micoses nas unhas e no braço; traumatismos cutâneos (cortes, arranhões, picadas de inseto, queimaduras, retirar cutícula e depilação da axila); banheiras e compressas quentes; saunas; exposição solar; apertar o braço do lado operado (blusas com elástico; relógios, anéis e pulseiras apertadas; aferir a pressão arterial); receber medicações por via subcutânea, intramuscular e endovenosa e coleta de sangue; movimentos bruscos, repetidos, e de longa duração; carregar objetos pesados no lado da cirurgia e deitar sobre o lado operado.” Eu gostaria de dizer a você que sigo a risca todas as recomendações acima e outras que me aconselham os médicos, especialmente, a fisioterapeuta, mas mentiria se assim fosse. Tive que lutar comigo mesma e estabelecer alguns limites e não foi fácil não! Lembra que minha cabeça entortou de vez com o câncer? Pois é minha gente! Minha desculpa é sempre: isquici que não podia! Só que aí o braço dói, incha, dói mais, eu pelo de medo do linfedema e etc, etc, etc. Importante: nós podemos fazer tudo que fazíamos antes e devemos! Só não é possível fazer tudo e de uma só vez! No próximo post vou contar a você como me portei desde o final da quimioterapia; então aguarde cenas dos próximos capítulos de: Eu, a Neura da faxina e a Neolsa...dina! kkkkkkk Conselho: se sua cabeça ainda está no lugar, siga as recomendações acima! Se o seu braço já inchou não abandone a fisioterapia, se você morre de dor ao realizar tarefas no trabalho e domésticas, PROCURE UM MÉDICO para receber orientações, fazer exames, fisioterapia etc. ok? Um abração. Marina.
Escrito por Marina da Silva às 21h07 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] CÂNCER E TRABALHO. Marina da Silva
Seria muito bom se tivéssemos respostas para tudo, como aquela economista Sofia que dá consultoria na TV e no jornal. E agora Sofia? O que é que eu faço? É uma pena, mas na maioria das vezes, respostas prontas não servem; não quando se trata da nossa vida, de tomar decisões em situações difíceis, como por exemplo, trabalhar ou não durante o tratamento de um câncer, fazer ou não o tratamento, tirar ou não a mama, ir trabalhar ou não passando um mal danado na quimioterapia. Cansei de ouvir bicão me dizer: _ Fulano teve câncer e trabalhou normalmente todos os dias. _ Por que você não trabalhou durante a quimioterapia? Fiquei muito magoada, virei a cara ou dei resposta dura. O fato é: eu não consegui trabalhar durante a quimioterapia. Muita gente consegue, é verdade. Por que uns conseguem e outros não? Você me perguntaria. E a resposta é: porque não somos todos iguais e nem existe um tratamento único para cada paciente! Por exemplo, eu e Dilma Rousseff ou eu e José de Alencar. Em primeiro lugar: cada câncer é único! O meu foi na mama e espalhou para os gânglios linfáticos; a Dilma tem linfoma, começou nos vasos linfáticos e o Zé tem em várias partes do corpo. Cada um de nós passou pela avaliação médica que prescreveu o tratamento para cada caso. Cirurgias radicais ou só retirada do tumor; radioterapia, quimioterapia, hormonioterapia; um só destes tratamentos ou todos eles juntos como foi o meu caso. A quimio é a etapa mais extenuante, mas cada um reage ao seu modo aos quimioterápicos e cada um tem os remédios que o dinheiro pode pagar! Dilma e José Alencar especialmente, tem tratamento VIP, com médicos, clínicas e medicamentos de última geração (que não provoca tantos efeitos nocivos ao organismo). Eu e muitos brasileiros vamos ter sempre o que é viável para o plano de saúde e para o SUS. Muitas coisas ajudam a vencer o medo de morrer: ter fé é a principal delas; o suporte da família; uma boa equipe médica; o diagnóstico precoce; um bom plano de saúde ou estar num lugar onde o SUS funcione adequadamente; e o mais importante _ trabalhar! Minto quando digo que não trabalhei! Não consegui voltar ao meu posto de trabalho, mas trabalhei muito em casa. Lavar, passar, cozinhar, limpar, lavar banheiros, arrumar cozinha, escrever, fazer artesanato, fazer supermercado, feira. Nunca fiz tanta faxina na minha vida! Uns dez meses faxinando e cuidando da casa! Meu braço inchava, doía pra caramba! Eu me entupia de analgésicos e fazia fisioterapia semanal e uma vez por semana recebia o meu “tu és burrita!” Burrita! Era esta a forma carinhosa que a fisioterapeuta, Drª. Hilda, me chamava a atenção para o risco de ter um linfedema no braço por não respeitar meus limites e exceder nos serviços de casa. Trabalhar em casa não vale? Vale! Vale muito e ajuda muito a passar por esta fase periclitante. Então... se você estiver passando um perrengue de câncer não vá se matar de trabalhar só para dar satisfação aos outros! Trabalhe se tiver condições físicas e psicológicas para trabalhar, mas principalmente se a avaliação dos médicos liberar! Médicos não ficam dando licenças a torto e a direito! Eles estão acompanhando o paciente e quando for a hora da alta é o médico quem decide. Não é nenhum bicão! Nem sempre trabalhar é o melhor remédio! Bjus. Marina.
Escrito por Marina da Silva às 22h13 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] |
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