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Câncer de Mama



EU ISCRIVINHADORA...

DE SALTO ALTO.

Marina da Silva

 

 

É inegável que um salto alto, em geral, deixa a mulher elegante; principalmente um salto fino, agulha. Raramente uma mulher, em nome da beleza e elegância, não lança mão de um saltinho. Mas aqui em Beagá, a capital mineira, andar num salto alto muitas vezes é arte, manha, um alto risco que pode acabar numa tragédia ortopédica ou mesmo um TC – traumatismo craniano.

Ao turista pode parecer deselegante ver da janela do carro ou ônibus a profusão de chinelos, rasteirinhas, sapatos baixos, tênis e salto Anabela, hoje acompanhado pelo Plataforma, um salto tão grande e desajeitado como uma plataforma  petrolífera da Petrobrás. Mas não sabe ele o drama das mulheres que se atrevem a caminhar pela cidade, em qualquer uma de suas regiões, num salto alto! E isto porque, o estado precário e calamitoso de nossas calçadas, aqui conhecidas como passeios, faz do uso do salto alto uma verdadeira aventura radical, uma guerra contra buracos e traumatismos dia após dia.

Parece e é visível que em Beagá as regras para se fazer calçadas não são cumpridas. Os passeios são deploráveis, cada um faz do seu o seu jeito e tem-se a impressão que os mesmos são feitos com as sobras e restolhos da construção do imóvel. Então ocorre uma profusão de passeios inacabados, esburacados, desnivelados, feitos com mistura de vários entulhos da obra e ninguém, institucionalmente falando, fiscaliza a construção, os reparos e a manutenção dos passeios. Verdade seja dita, há boas calçadas aqui, ali, acolá e na parte central da cidade que vem passando por processos de revitalização, um verdadeiro caos e sempre próximo às eleições. Mas não é regra e sim exceção. Mas também vale relatar que a qualidade e durabilidade das obras em alguns pontos... deixa pra lá!

É difícil ser elegante de salto alto numa cidade serrana, mas nos passeios de Beagá torna-se uma tarefa hercúlea, uma exposição constante a tombos, quedas, fraturas, contusões, ao ridículo e chacota de todos.

O salto alto para a elegância da mulher é tão fundamental, que muitas, paradoxalmente, se orgulham de rodar a baiana, desmanchar um barraco sem descer do salto. Fato um tanto difícil para as belo-horizontinas que andam dando quebras na coluna, seqüelas de uma pólio tardia ocasionada pelos passeios da cidade, o que faz a mulher daqui parecer deselegante, para não falar jeca.

 E é por estas e muitas outras mazelas de nossas calçadas que não se devem julgar as mulheres pelo que se vê da janela.

Há que se andar para crer? Então coloque um salto e venha se arriscar nos passeios de Beozonte e assim entenderá porque, muitas vezes é comum ver pela cidade, mulheres atoladas, praguejando contra céus e infernos e de quebra poderá aprender o que é um trupicão, topada, catar mamonas, catar cavaco, cair em mata-burro e descobrir que o nosso why (uai) é o inexplicável por que de mineiro!

 

 RisoQUER LER OUTROS ESCRITOS? www.reforme.com.br/kitnet

beijos e brigadaça! Marina.



Escrito por Marina da Silva às 19h23
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MAMOTOMIA.

Marina da Silva

 

 

“Olá Marina, Vou fazer uma mamotomia, foi por causa dela que conheci o seu Blog. Tenho um diagnostico de câncer, pequeno, mais quando fui fazer a ressonância  apareceram mais 2 nódulos que não são visíveis na mamo”. Bjs Hort.

 

Assim que recebemos um diagnóstico de câncer, a primeira coisa que fazemos depois do choque, susto e medão (alguém anotou a placa aí?) vamos atrás de informações sobre a doença, tratamentos, exames, etc. isto passa a ser um ritual para o paciente e para a família (cônjuge, filhos, pais, irmãos ou o responsável que se encarregará de dar aquele suporte).

 

Detalhe: existem pessoas que teimam em passar tudo sozinha, escondendo da família ou dispensando ajuda que não seja médica e para-médica. BURRICE! QUANTO MAIS SOCIALIZAMOS O PERRENGUE, MAIS FÁCIL É O CAMINHO DA CURA!

 

A busca de informações, isto é, checar o que o médico disse, é feita em livros, revistas e atualmente no GOOGLE. Foi assim comigo e será com qualquer pessoa. Eu e meu marido, em 2002 vasculhamos a internet e o que achamos foi quase nada inteligível. Foi então que resolvi criar este blog: TUDO DE BOM HUMOR SOBRE O CÂNCER DE MAMA! Informações com uma linguagem mais ligth e quando desse, com humor!

A principal busca GOOGLE do momento é sobre a MAMOTOMIA. Já escrevi sobre este exame alguns posts atrás.  Se você pesquisar na Internet vai achar:

 

Mamotomia: a mamotomia dói?

 

“A Mamotomia é um procedimento minimamente invasivo, com alta precisão no diagnóstico do câncer de mama, sendo realizada com anestesia no local onde se faz a incisão na mama, evitando  a dor. Entretanto, algumas pacientes se queixam de certo desconforto durante o procedimento.  O importante, porém, é que o custo-benefício da Mamotomia também é muito grande, evitando  internação da paciente e raramente apresenta complicações.” www.ibcc.org.br.

 

A maioria dos sites vai lhe dar este conceito receita de bolo.  E como eu nunca fiz nenhuma mamotomia resolvi publicar relato de mulheres que passaram pelo exame.

 

“Relato para encorajar: Eu fiz uma mamotomia ontem. Ela foi realizada com anestesia local e guiada por US. A mamotomia por ser tanto guiada por mamografia ou por ultrassom, dependendo de como o nódulo é melhor visualizado. Este procedimento está descrito na internet em vários sites. Exemplo: http://www.kemp.med.br/?p=92. Durante o exame, o que arde é a entrada da anestesia. Depois você não sente mais nada, só tontura por causa da anestesia. Após o seu efeito, já em casa, começou a doer, mas tomei uma dipirona e melhorou. Minha mama ficou um pouco inchada. Hoje ainda está incômodo, não consigo fazer todos os movimentos do braço e ainda dói um pouco em alguns momentos. Afinal, houve um corte pra passar a agulha e retiram fragmentos do nódulo. Só vou praticar esportes semana que vem, qdo tirar o ponto falso, mas posso trabalhar normalmente (aqui estou no trabalho!).”Publicado aqui no blog   como ANÔNIMO 03/03/2009 12:24. 

 

 

A Mamotomia por mim
Marquei meu exame. Fui orientada a levar os exames anteriores, ir de blusa folgada e levar um acompanhante, pois não poderia dirigir na saída.

Chego para o exame com a antecedência recomendada. Aguardo, preencho meu cadastro, sou chamada, entro na sala. Ao entrar, o médico me pergunta imediatamente e com certa surpresa, 'quantos anos você tem??" 35. 'Ah, parece menos" "Coisa boa de se ouvir", brinquei.

Me deram o avental com abertura frontal para vestir, me disseram para deitar com a mama a ser examinada no orifício da maca, que seria elevada (e eu ficaria em posição similar a dos carros quando vão fazer troca de óleo na oficina) para o médico efetuar os procedimentos por baixo. Não sei se foi neste instante ou quando tive minha mama fortemente comprimida, ficando presa como uma vaca leiteira pela teta e sentindo forte dor, começou a me dar um pânico e uma vontade de sair dali correndo. Achei que pareceria louca ao fazer isso, pensei em tantas pessoas que conseguem suportar tantas dores, os motivos que me levaram a estar ali e fiquei.

A compressão contínua que é feita na mama é MUUUIIITO dolorosa (me senti numa cela do DOPS). O constrangimento que se sente com o exame é muuuitto grande. A raiva de não ter sido devidamente orientada sobre a quantidade de desconforto que eu sentiria foi MUUIIIITA. Mas ela seria ainda maior quando, ao final (que durou dez minutos além do prazo, pois tive que continuar sendo "comprimida" para estancar uma hemorragia causada por uma perfuração em um "vasinho importante"), após ser libertada da maca de tortura, fui informada que eu teria 5 dias de atestado médico, poderia sentir dificuldade de movimentar o braço e não poderia fazer exercícios por 20 dias ("Isso é uma biópsia, ora!" me disse o médico, após o meu estranhamento). Chorei à beça após o exame - de dor e de raiva.

Passei dois dias sem conseguir elevar os braços. Nesse período, meu marido teve que lavar meu cabelo, não podia fazer nada que me requeresse as duas mãos. Somente três dias depois do exame, é que consegui sentar para digitar. Não somente pela impossibilidade física, mas pela falta de condições emocionais. Até hoje, passado quase um mês, ainda sinto uma incômodo no local, que piora em alguns momentos. E o que me deixou indignada foi que: nada disso me foi informado antes!!! Me senti enganada. Parecia que meu corpo tinha sido violentado.

Se eu soubesse EXATAMENTE tudo o que me esperava, teria outros elementos para tomar minha decisão. Sabendo exatamente como era, eu esperaria os 6 meses (com a MINHA consciência bem tranqüila!). Para os MEUS parâmetros, o exame é sim MUITO invasivo. Pode ter evoluído bastante da biópsia convencional, pode ter evitado o centro cirúrgico e deve, sim, ser indicado para pessoas que tenham lesões bastante suspeitas e que poderão evitar um procedimento ainda mais invasivo. Não uma pessoa jovem, que possa esperar para comparar por mamografia e possivelmente se verificar que eram lesões benignas, fisiológicas, decorrentes da passagem do tempo, da gravidez, da amamentação...(como dias depois, após o resultado, foi constatado).

E aí neste ponto é que nos perguntamos dos 'efeitos colaterais' da própria mamografia. Ela foi pensada para se detectar precocemente lesões malignas. Mas acaba que se detectam também lesões benignas que acabam gerando dúvidas e outros procedimentos médicos, muitas vezes desnecessários. Então me pergunto - até que ponto vale a pena fazer este exame aos 35 anos??

Não vou entrar aqui na questão da medicalização da saúde e da sociedade, da cultura do intervencionismo, do custo da medicina, isso dá muito pano para manga. Mas quero falar do DIREITO À INFORMAÇÃO.

Acredito firmemente no MEU direito de tomar decisões que digam respeito ao MEU corpo com base em INFORMAÇÕES COMPLETAS E CONFIÁVEIS. Não é possível que nos sejam passadas APENAS as informações convenientes. Não é possível que os resultados de pesquisas circulem apenas em meio restrito e em um vocabulário ininteligível para os reles mortais. Não dá!!”
RELATO DE JULIANA . http://cotidiano-urbano.blogspot.com/2008/03/da-indignao-retrao-seqelas-de-um-exame.html

 

ATENÇÃO: VOCÊ FEZ MAMOTOMIA? CONTE EXPERIENCIA AQUI NO BLOG PARA OUTRAS MULHERES! PODE ENVIAR SEU RELATO PARA MEU E-MAIL: aatrocha@uol.com.br .  ESPERO QUE ESTAS INFORMAÇÕES AJUDEM QUEM DELAS PRECISAR. BRIGADAÇA. BEIJOS. MARINA

 

 

 

 

 



Escrito por Marina da Silva às 13h04
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